Os quasares estão entre os objetos mais brilhantes do universo. Um único quasar pode emitir mais luz do que todas as estrelas da galáxia em que está, e ainda assim, por décadas, os astrônomos se perguntaram o que exatamente faz esses “faróis cósmicos” se acenderem. Pesquisas recentes ajudaram a responder boa parte dessa pergunta, e a resposta envolve um encontro gigantesco: a colisão entre galáxias.
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Neste artigo, você vai entender o que são os quasares, como eles foram descobertos e o que os estudos mais recentes revelaram sobre a origem de tanta energia.
O que são os quasares
O nome quasar vem da expressão em inglês “quasi-stellar radio source”, algo como “fonte de rádio quase estelar”. Quando foram observados pela primeira vez, nos anos 1960, eles pareciam simples pontos de luz, parecidos com estrelas, mas emitiam uma quantidade enorme de energia.
Hoje se sabe que um quasar é o núcleo extremamente ativo de uma galáxia distante. No centro dessa galáxia existe um buraco negro supermassivo, com milhões ou até bilhões de vezes a massa do Sol. Quando uma grande quantidade de gás e poeira cai em direção a esse buraco negro, ela forma um disco que gira em altíssima velocidade e se aquece a temperaturas extremas. É esse material, antes de ser engolido, que brilha com tanta intensidade.
Como os quasares foram descobertos
Um marco dessa história aconteceu em 1963, quando o astrônomo Maarten Schmidt analisou a luz de um objeto chamado 3C 273. Ele percebeu que a luz estava muito deslocada para o vermelho, o que indicava que o objeto estava a uma distância enorme da Terra.
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Isso significava que, para parecer tão brilhante daqui, o quasar precisava ser incrivelmente poderoso. A partir daí, os astrônomos encontraram milhares de outros quasares, muitos deles a bilhões de anos-luz de distância. Como a luz leva tempo para viajar, observar um quasar distante é como olhar para o passado do universo.
O mistério: o que acende um quasar?
Saber que um buraco negro alimenta o quasar não respondia a uma pergunta importante: de onde vem tanto gás de uma só vez? Na maior parte do tempo, os buracos negros no centro das galáxias ficam relativamente “calmos”, sem material suficiente para brilhar dessa forma.
Uma das hipóteses mais antigas era a de que colisões entre galáxias poderiam empurrar grandes quantidades de gás para o centro, alimentando o buraco negro. Faltava, porém, uma observação clara que confirmasse essa ideia.
O que a pesquisa revelou
Em 2023, astrônomos das universidades de Sheffield e de Hertfordshire, no Reino Unido, publicaram um estudo que trouxe evidências fortes. Eles usaram imagens muito profundas feitas pelo Telescópio Isaac Newton, nas Ilhas Canárias, para observar galáxias que abrigam quasares e compará-las com mais de cem galáxias sem quasares.
O resultado chamou a atenção: as galáxias com quasares tinham cerca de três vezes mais probabilidade de mostrar sinais de interação ou colisão com outras galáxias, como estruturas distorcidas e caudas de estrelas e gás em suas regiões externas.
Isso reforça a ideia de que, quando duas galáxias se aproximam, a força da gravidade bagunça o gás de ambas. Parte desse gás perde velocidade e cai em direção ao centro, onde o buraco negro supermassivo passa a se alimentar intensamente. É nesse momento que o quasar “acende”.
Por que as estrelas não se chocam nessas colisões
Pode parecer estranho, mas quando duas galáxias colidem, quase nenhuma estrela bate em outra. A distância entre as estrelas é tão grande que elas passam umas pelas outras com facilidade, como dois bandos de pássaros que se cruzam no céu.
O que realmente interage é o gás. As nuvens de gás das duas galáxias se chocam, se comprimem e mudam de trajetória. Esse processo pode tanto gerar novas estrelas quanto levar o material até o centro da galáxia, alimentando o buraco negro.
O efeito de um quasar na sua galáxia
A energia liberada por um quasar é tão grande que pode afetar a galáxia inteira. A radiação e os ventos produzidos podem aquecer ou expulsar o gás que daria origem a novas estrelas. Por isso, os astrônomos acreditam que os quasares têm um papel importante na evolução das galáxias, ajudando a explicar por que algumas param de formar estrelas.
E a Via Láctea?
Nossa galáxia também tem um buraco negro supermassivo no centro, chamado Sagitário A*, mas ele está relativamente tranquilo. Os cálculos indicam que a Via Láctea pode se aproximar e se fundir com a galáxia de Andrômeda daqui a alguns bilhões de anos. Se isso acontecer, é possível que o centro da nova galáxia viva uma fase de quasar. Até lá, porém, o Sol e a Terra já terão passado por enormes transformações.
O primeiro quasar identificado
Em 1963, o astrônomo holandês-americano Maarten Schmidt analisou a luz de um objeto chamado 3C 273 e percebeu que ele estava muito mais distante do que se imaginava. Para parecer tão brilhante a essa distância, o objeto precisava emitir uma quantidade enorme de energia. Foi o início da compreensão dos quasares, hoje entendidos como núcleos de galáxias alimentados por buracos negros supermassivos que devoram gás e poeira.
Dá para ver um quasar?
O quasar 3C 273, um dos mais brilhantes vistos da Terra, pode ser observado com telescópios amadores de abertura média, em céus escuros. Ele aparece como um pequeno ponto de luz, parecido com uma estrela, mas a luz que chega até nós saiu dele há bilhões de anos, o que torna a observação especial para quem gosta de astronomia.
Planetários e clubes de astronomia costumam organizar observações em que é possível tentar localizá-lo.
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Conclusão
Os quasares deixaram de ser apenas pontos misteriosos no céu para se tornarem peças-chave no estudo do universo. As pesquisas recentes indicam que muitos deles se acendem quando galáxias colidem e o gás é empurrado para o buraco negro central. Além de explicar esse fenômeno, os quasares funcionam como marcadores da história do cosmos, mostrando como as galáxias eram há bilhões de anos e ajudando os cientistas a entender como elas evoluíram até hoje.